ABCDT ressalta importância do tratamento e necessidade de o Governo oferecer condições adequadas para as clínicas que prestam serviços ao SUS.
Os pacientes diagnosticados com intoxicação por dietilenoglicol, relacionados ao caso Backer, tiveram que fazer ou estão fazendo hemodiálise para retirar substâncias tóxicas do organismo. Essa lamentável situação em Minas Gerais serve de alerta para a sociedade da importância do tratamento de diálise, fundamental para a vida de milhares de pacientes renais crônicos em todo o Brasil. O tratamento também salva a vida de outros milhares de pacientes, que muitas vezes necessitam do tratamento de forma pontual, ou seja, a diálise aguda.
Pacientes agudos, como esses intoxicados pelo dietilenoglicol, receberam o atendimento adequado. No entanto, o acesso ao tratamento precisa ser sustentável, pois é possível ver nos noticiários com frequência casos de pacientes renais crônicos que morrem na fila, aguardando vaga para fazer hemodiálise. A Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplante (ABCDT) ressalta que o Governo precisa urgentemente olhar com mais atenção para esse tratamento tão importante para a sobrevivência de milhares de pacientes e que está agonizando.
Apesar de ser o único tratamento disponível para pacientes renais crônicos, além do transplante renal, a diálise ainda é pouco conhecida da população como um todo e, infelizmente, ainda é muito mal remunerada pelo Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), mais de 133 mil pacientes dependem do tratamento de diálise para sobreviverem. Deste total, 108 mil realizam o tratamento em clínicas privadas, que são credenciadas pelo Ministério da Saúde e prestam serviço ao SUS.
A ABCDT explica que a diálise é um procedimento de alta complexidade e com custo elevado. No entanto, há décadas, o valor pago pelo Ministério da Saúde está abaixo do custo real de uma sessão de hemodiálise. Frente a este quadro de subfinanciamento crônico, as clínicas vêm perdendo sua capacidade de investimento, qualidade, segurança, até mesmo para manter suas atividades. O resultado é a redução de vagas para novos pacientes, que se mantém represados nos hospitais, além do encerramento das atividades de dezenas de clínicas em todo o país.
Apesar das difíceis condições financeiras, as clínicas sempre colocam a saúde do paciente como prioridade. “Estas unidades estão mergulhadas em dívidas devido ao baixo valor pago, além de lidarem com os atrasos recorrentes dos repasses da sessão de hemodiálise. Mesmo assim, buscam resolver deficiências crônicas do sistema e dão o melhor para oferecer um tratamento de qualidade para os pacientes renais”, explica o presidente da ABCDT, Yussif Ali Mere Júnior.
Crise histórica
O tratamento ficou quatro anos sem reajuste, até janeiro de 2017, quando foi publicada a portaria Nº 98, a última responsável por ajustar valores de procedimentos de Terapia Renal Substitutiva (TRS) na tabela de procedimentos, medicamentos, órteses, próteses e materiais especiais do SUS. O valor da sessão de hemodiálise passou de R$ 179,03 para R$ 194,20, com reajuste de 8,47%.
Porém, a nova quantia, que já era insuficiente à época, causa um verdadeiro desastre, pois, as clínicas precisam arcar com a diferença entre este valor e R$ 238,00, que é o custo estimado de uma sessão de hemodiálise hoje. Grande parte dos insumos, como produtos e maquinários são importados, além de gastos com dissídios trabalhistas, folha de pagamento, energia e impostos. Com tais despesas e a diferença de valor, a maioria das clínicas de diálise prestadoras de serviço ao SUS precisa recorrer a empréstimos ou não consegue sustentar o tratamento.

patient monitored by electronic sphygmomanometer during dialysis session