“A música é muito boa. Ajuda a distrair”. Essas são as palavras de agradecimento da paciente Neuza Brito, de 72 anos, e que há quatro anos faz sessões de hemodiálise. Ao som dos clarinetes e um saxofone, as melodias vão ganhando os cantos da sala da Clínica de Hemodiálise que funciona na Santa Casa de Corumbá.
Os responsáveis em levar essa distração aos pacientes são os alunos da Ong Instituto Novo Olhar, que participam do projeto de musicoterapia há dois anos e agora colocam na prática os ensinamentos no período de aprendizado.
Eles chegam na sala, se apresentam e logo começam a tocar os instrumentos musicais. É através da musicoterapia, que os pacientes se sentem mais ‘abraçados’ e acima de tudo, lembrados.
“É bom quando você se sente lembrado. A música nos distrai nessas quatro horas em que ficamos sentados fazendo a hemodiálise. O tempo é terrível quando ficamos aqui sem atividade nenhuma e, com a música, além de relaxarmos, nos dá mais inspiração”, completou dona Neuza.
Já o paciente Ronaldo Benjamin Burgo Ramos, que está há nove anos enfrentando a luta na máquina de hemodiálise, disse que atividades como essas, são sempre importantes, pois demonstra acolhimento para com o próximo. “É algo que nos traz a certeza que sim, estamos passando por uma limitação física, mas que através desses louvores é necessário enfrentar o problema com coragem, nos estimula em nossa luta diária, demonstra o acolhimento não só aos pacientes, como o amor ao próximo”, falou Roberto ao Diário Corumbaense.
Para o jovem Welber Pessoa Pereira, de 18 anos, que aprendeu a tocar clarinete há três anos, a experiência está sendo ótima, pois conforme ele, são duas aprendizagens com a musicoterapia. “Aprendo duas vezes, uma com o clarinete e outra ao compartir essa experiência com os pacientes que estão aqui. A musicoterapia muda a vida da gente, pois nos transmite força e coragem, ainda mais para essas pessoas que estão passando pela situação de enfermidade”, comentou o jovem.
É o que também pensa Ewerton Daniel de Oliveira de Arruda, de 18 anos. Através do saxofone, o jovem transmite um pouco de calmaria e relaxamento aos pacientes. “Ajudar o próximo é muito importante. Sei das dificuldades enfrentadas por eles, muitas vezes se sentindo pra baixo, mas é na música que buscamos levar um pouco de alívio para que eles possam dar continuidade ao tratamento”, disse.
Música funciona como terapia complementar
Estudo realizado pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP), da USP e que foi divulgado em 2014, revelou que a ansiedade das pessoas que são submetidas à hemodiálise pode diminuir com o uso da música durante as sessões. A pesquisa avaliou o efeito da música como terapia complementar a partir da análise de aspectos fisiológicos e emocionais dos pacientes.
E com pensamento não diferente do estudo, a responsável técnica do setor de hemodiálise, Rosa Jeane Costa Cruz, falou que a atividade é importante para os 120 pacientes que hoje, fazem hemodiálise, em sessões três vezes na semana.
“Realmente é muito bom para eles, já que são pacientes renais crônicos, alguns passam anos fazendo as sessões. Por isso é importante sempre participarem de atividades que possam estimular no tratamento, ações como essa são sempre bem-vindas”, explicou Jeane.
O projeto de musicoterapia do Instituto Novo Olhar nasceu em 2017, quando os alunos começaram a aprender a tocar os instrumentos. Depois de dois anos de muita teoria, sob o comando de um músico fuzileiro naval voluntário, em 2019, eles começaram a colocar em prática o aprendizado.
“Temos como objetivo levar a acessibilidade, mobilidade e autoestima para todas as pessoas. A musicoterapia vem trazer um conforto espiritual e físico para os pacientes. A ideia é expandir ainda mais a atividade”, frisou Ednaldo Souza Neves, fundador do Instituo Novo Olhar, que hoje conta com 20 alunos inclusos na musicoterapia e que tocam instrumentos de sopro e percussão não só para pacientes da Santa Casa, como para outras instituições, como Apae e Asilo São José.
O assistente social do setor de hemodiálise e supervisor da Santa Casa, Luiz Mário de Campos Sá, enfatizou a atividade como forma positiva para os pacientes. “Recebemos a proposta e então resolvemos abraçar a ideia, e definimos uma escala de apresentações. No setor de hemodiálise, os pacientes gostam e através da música se sentem mais aliviados tanto espiritualmente como psicologicamente, o que é muito importante para eles. Além disso, a proposta também se direciona para o setor de Clínica Geral e Pediatria. É a música fazendo o bem”, declarou Luiz Sá.
Musicoterapia
A utilização da música com finalidade terapêutica vem desde o início da história da humanidade. A musicoterapia é uma técnica terapêutica que se utiliza da música para tratar seus pacientes. Trata-se de um híbrido entre arte e saúde e serve para promover a comunicação, expressão e aprendizado. Além disso, busca facilitar a organização e a forma de se relacionar dos seus pacientes.
Pode ser utilizado em qualquer área que haja demanda, seja promovendo saúde, reabilitando ou atuando como medida de prevenção ou simplesmente para melhorar a qualidade de vida.
Fonte: Jornal Diário Corumbaense – https://diarionline.com.br/?s=noticia&id=108027 – 08/02/2019

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