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UNIDAS – 26/08/2008
PE: Longa e árdua espera por um transplante
Há dez meses, fundação não realiza procedimento com medula óssea e mais de 20 pacientes estão na fila
Francilene Silva, 19 anos, e Vanuza Soares, 20, conseguiram o que teoricamente seria mais difícil no tratamento da leucemia: o doador compatível de medula óssea. Mas essas jovens, pacientes da Fundação Hemope, esperam há mais de sete meses pela cirurgia. Fazem parte de um grupo de mais de 20 pessoas que enfrentam o mesmo problema na unidade, principal do SUS, no Estado, em doenças do sangue.
Embora tenha central de transplante, o Hemope não faz o procedimento desde outubro do ano passado, por falta de pessoal e de materiais. Doentes com indicação de transplante, quando encaminhados a outro serviço referência no tratamento, o Hospital Português, particular conveniado ao SUS, têm se deparado com mais uma dificuldade, que é a suspensão de radioterapias pré-transplante em função do preço pago pelo SUS.
“Vamos nos reunir às 10h desta terça-feira (hoje), no gabinete da Secretaria Executiva de Assistência à Saúde, para definir uma solução para a radioterapia. A Secretaria Estadual de Saúde estuda dar um complemento aos valores pagos pelo serviço e credenciar uma nova clínica”, adianta a coordenadora da Central de Transplantes do Estado, Cristina Menezes. Ela confirma que o serviço de radioterapia do Português suspendeu o atendimento no último mês.
O diretor de Hematologia da Fundação Hemope, Aderson Araújo, credita à burocracia o longo tempo de suspensão dos transplantes no serviço. Ele espera voltar a oferecer a terapia em duas semanas. “Já finalizamos a seleção pública para contratação de 60 profissionais e estamos licitando os produtos”, informou ontem. Segundo Araújo, antes de fazer a licitação, foi necessário atender a uma nova exigência da Secretaria da Fazenda. Cada produto teve que ser registrado com um código no Fisco Estadual, trabalho demorado porque as marcas são importadas em sua maioria.
Enquanto a burocracia ocupava o tempo, a agonia dos doentes se prolongava. “Descobri minha doença em agosto do ano passado. Parei de trabalhar, tive que pedir ajuda para cuidar do meu filho, que tinha quatro meses de vida, e me sinto muito fraca. Já fiz oito quimioterapias e quando me animo, o transplante é adiado”, conta Vanuza Maria Soares, 20 anos. Ela vendia confecções na Feira de Caruaru, no Agreste, e, com a doença, viu também a renda da família diminuir. Depende hoje do auxílio-doença e o marido acabou pedindo demissão, depois das freqüentes faltas e atrasos para cuidar da mulher e do filho.
RISCO DE MORTE
“Minha vida parou no tempo. Não saio de casa, nada posso fazer, tudo é um risco. Vou acabar morrendo e não sai o transplante”, relata, lutando contra mais uma infecção respiratória.
A doadora, com todos os exames de compatibilidade concluídos, é a irmã de 19 anos, Rosângela Carvalho. Desde o início de fevereiro elas estão aptas ao procedimento. “Quando procurei o Hospital Português até me animei, mas de repente disseram que não iam fazer mais o transplante. Alegam que a máquina de radioterapia está quebrada e que o dinheiro do SUS não é suficiente. Espero que o governo reabra logo o serviço do Hemope”, conta a paciente. Ao longo da luta, Vanuza teve também que comprar por dois meses remédios para o tratamento, ao custo de R$ 150, porque o Hemope não tinha as drogas.
A estudante Francilene Silva, 19, casada e moradora de Olinda, no Grande Recife, também espera desde fevereiro pelo transplante de medula óssea. “Meu irmão pode me doar a medula, os exames dele são compatíveis”, conta.
Ela se diz cansada diante das dificuldades. Já fez a sétima sessão de quimioterapia e o momento do transplante não chega. Por causa da doença, deixou de estudar e não concluiu o ensino médio. Ela teme perder as condições ideais para o transplante e espera que os problemas sejam logo solucionados. (Jornal do Commercio)
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