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UNIDAS – 26/08/2008
MG: Transplantes: acesso maior, mas ainda com longa espera
Cerca de 70% das famílias doam órgãos de seus parentes para pacientes
Há oito anos, o aposentado Sérgio de Almeida Pagano, 54, recomeçou a vida quando conseguiu um novo coração. Antes de ser transplantado, a esperança de sobrevivência era mínima. Ele ficou três meses internado no hospital esperando o órgão, teve várias paradas cardíacas e respiratórias. "Pensei que fosse morrer. Meu caso foi se agravando e passei da fila por tempo de espera para a fila de prioridade. Felizmente, encontraram um coração bom para mim. O transplante foi minha salvação", comemora. O mesmo desfecho positivo é esperado pela irmã de caridade Enilda de Paula Pedro, 59. Há seis anos ela aguarda na fila por um rim. Seus problemas renais começaram no início da década de 1990 e o tratamento de hemodiálise foi necessário a partir de 2002. De lá para cá, sua rotina se tornou mais pesada, com hemodiálise três vezes por semana.
"Tenho enjôos constantes, dor de cabeça, queda de pressão, mas continuo esperançosa em conseguir um rim compatível com o meu organismo." As histórias dos dois personagens atendidos em Minas Gerais exemplificam bem o panorama dos transplantes no Brasil. É inegável que o acesso a esses procedimentos, realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), tem tido grandes avanços nos últimos anos. Em Minas, por exemplo, onde o serviço público de transplante começou a ser organizado em 1992 com a criação do MG Transplantes, já foram 15.627 cirurgias. E neste ano o serviço prevê recorde no número de procedimentos em 12 meses: mais de 2.000. Para se ter uma idéia dos avanços, em 1992 foram 246 transplantes. Mas apesar do maior acesso, ainda há muita espera.
"Hoje existe uma rede de comunicação federal entre os hospitais, que permite uma maior organização do trabalho de captação e atendimento ao paciente. O volume de transplantes está crescendo e a tendência é continuar assim", afirma o diretor do MG Transplantes, o cirurgião cardiovascular Charles Simão Filho. O SUS disponibiliza todos os tipos de transplantes realizados no Brasil. De 1988 até 1997, a captação e distribuição de órgãos e tecidos era aleatória, sem regras ou prioridades e com filas por Estado. Nos últimos 11 anos, quando se regulamentou o Sistema Nacional de Transplantes (SNT), esse mecanismo foi aprimorado. O modelo unificou a captação e tornou única a fila. Leia amanhã mais uma reportagem da série sobre os 20 anos do SUS
Demanda
Rim é o órgão mais procurado em Minas
Cerca de 75 mil pessoas sofrem de insuficiência renal no Brasil e fazem tratamento de hemodiálise. Desse total, 80% dos casos só serão solucionados com o transplante de rim, segundo o presidente da Sociedade Mineira de Nefrologia, José Augusto Meneses da Silva. Em Minas, das 4.133 pessoas que aguardam na fila de espera por um transplante, 3.067 precisam de um rim. Outros 989 precisam de córneas, 44 de fígado, 22 de medula óssea e 11 de coração, segundo dados do MG Transplante. “O transplante de rim é um dos mais requeridos no Brasil. Acredito que a doença renal seja a nova epidemia do século XXI.
Um paciente com insuficiência renal vive com hemodiálise por anos, mas viverá com mais qualidade se for transplantado. Entretanto, ainda é muito difícil conseguir um órgão”, afirmou o médico, que ressaltou também haver uma média de 3.000 transplantes de rim feitos no país por ano. Para Silva, apesar de o número de transplantes ter crescido nos últimos anos no Brasil, ainda há defasagem. “Uma grande demanda fica sem a cirurgia”, disse. Segundo ele, um dos principais problemas dessa área é a negação da doação por parte das famílias dos pacientes mortos. (CCo)
Melhoria
Captação de órgão é o grande desafio
Em Minas, até o levantamento de julho deste ano feito pelo MG Transplantes, 4.133 pacientes estão na fila de espera. No Brasil, até o ano passado, a fila era de 66.361 pacientes. Segundo o médico Charles Simão Filho, a grande dificuldade está na captação dos órgãos, que engloba desde o momento de identificação da morte cerebral, a abordagem à família e a falta de capacitação dos funcionários da saúde para notificar casos. “Cerca de 70% das famílias concordam em doar os órgãos de seus entes mortos. Temos um constante trabalho de conscientização que visa acabar com os mitos. Mas também há problemas internos nos hospitais, como falta de sensibilidade de um funcionário na hora da abordagem familiar e problemas de notificação”, explicou o médico, chefe do setor de transplantes em Minas. (Carolina Coutinho - O Tempo)
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