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UNIDAS – 21/07/2008

RJ: Transplante de emoções

Dobra o número de cirurgias com doadores vivos, reduzindo o tempo de espera na fila por órgãos

O número de transplantes renais entre pessoas vivas duplicou nos últimos dois meses. E duplicou também a emoção e a alegria dos que se submetem às cirurgias — doadores e receptores. A média, que era de uma operação por semana no Hospital Geral de Bonsucesso, passou para duas, em junho. Dos dez transplantes realizados na unidade, oito foram do tipo intervivo. No mês seguinte, em julho, até agora já foram nove cirurgias — seis com doadores vivos.

Segundo a chefe de Nefrologia do HGB, Deise Monteiro de Carvalho, a unidade resolveu intensificar o processo após o Hospital Clementino Fraga Filho (no Fundão) interromper o procedimento há cerca de dois meses. “Temos consciência da imensa fila para o transplante. O objetivo foi reduzir o tempo de espera”, afirma.

Transplantada na terça-feira, a dona-de-casa Neusa de Oliveira, de 50 anos, comemora o rim que recebeu do irmão, o caminhoneiro Carlos Roberto de Oliveira, de 48. Por causa da hipertensão, seus rins pararam de funcionar há seis anos. “Quando detectaram o problema, passei a fazer três sessões de hemodiálise por semana. Deixei de trabalhar e vivia indisposta”, revela. Comovido, Carlos Roberto até pensou em doar um rim, mas tinha medo de se submeter ao transplante. Após dois anos de exames e consultas, aceitou enfrentar a sala de cirurgia. “Se preciso fosse, faria tudo novamente”, garante, emocionado.

A alegria de Carlos é compartilhada por Luciano de Oliveira, 35. Pai de Ravena de Oliveira Ferraz, 12 anos, ele doou um rim para a filha na terça-feira. Desde que descobriu que a estudante sofria de problemas renais, ele se ofereceu, junto com a mãe e um tio da menina, para ser doador. A esposa de Luciano chegou a ser selecionada, mas, no último exame antes do transplante, não pôde doar, porque estava grávida. “Sempre tive a certeza de que seria eu o doador”, orgulha-se o pai de Ravena.

Boa saúde e relação com pacientes

Ter mais de 21 anos, gozar de perfeita saúde e dispor dos dois rins. Essas são algumas das condições necessárias para a realização do transplante renal intervivos. “Para ser doador, a pessoa precisa ser da família do receptor ou, pelo menos, ter alguma relação emocional com ele — marido e mulher, por exemplo. O desejo de doar o órgão deve ser espontâneo e o próprio doador deve se apresentar na unidade”, explica Deise Monteiro.

A chefe da Nefrologia do HGB informa ainda que são realizados exames em série para verificar a compatibilidade entre doador e receptor. Além disso, o doador recebe acompanhamento de psicóloga e assistente social. “Já vi casos de paciente que recebeu o órgão de amigos e até vizinhos”, garante Vanda Regina Briggs, assistente-social da unidade de transplante renal do HGB. (O Dia Online).

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