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UNIDAS – 21/07/2008
CE: Pela humanização na saúde
Fórum promovido pela Associação Viva e Deixe Viver discutiu, também, o papel do voluntário no atendimento hospitalar
Fantasia e realidade se confundem nas histórias que afastam pequenos pacientes da dor e do sofrimento. Todas as semanas, voluntários se dedicam a contar essas histórias e assim tornam a convivência entre médicos, pacientes e enfermeiros mais prazerosa nas dependências do hospital. Esse trabalho, além de levar alegria, promove a tão buscada humanização na saúde, tema que foi alvo de um fórum promovido, na manhã de sexta-feira, na sede do Hospital São José, pela Associação Viva e Deixe Viver.
A associação, uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), promoverá em abril de 2009 o Congresso de Humanização, e preparando o cenário para essas discussão de âmbito nacional estão sendo realizados fóruns locais, nas nove capitais em que são desenvolvidos projetos da instituição. Em Fortaleza, a Viva e Deixe Viver existe desde 2004 e atua no Hospital São José com contação de histórias.
Todos esses projetos atendem a um objetivo comum: melhorar o relacionamento entre as pessoas envolvidas na prestação do serviço hospitalar. É exatamente essa relação entre um ou mais sujeitos que a pesquisadora Natália Gomes aponta como um dos focos da humanização na saúde. “Dentro da humanização não estamos falando desse ser biológico que é o humano, mas sim do homem como um ser social”, destacou a representante da Célula de Humanização da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa).
Natália Gomes foi uma das palestrantes do Fórum de Humanização e abordou a importância do psicodrama e de outras ferramentas no processo de humanização. Ela destacou que não há um conceito único para a humanização, mas que esta se caracteriza pelo atendimento de qualidade que, por sua vez, envolve a relação entre pacientes, médicos, enfermeiros, colaboradores do hospital e também os voluntários. “Temos que nos voltar para a prática das relações entre os sujeitos, sem priorizar o médico ou o paciente, mas a relação entre eles”, destacou.
A humanização, segundo Natália Gomes, é trabalhada de diferentes maneiras em cada unidade de saúde, mas há alguns dispositivos básicos que podem ser adotados com vistas a melhorar o atendimento. São eles: o acolhimento com classificação de risco, ter uma equipe de referência, adotar um projeto terapêutico, criar um ambiente físico agradável dentro dos hospitais e ter uma gestão participativa e democrática.
O Hospital São José é uma das instituições de saúde que adota a humanização como um dos princípios de atendimento. A unidade atende a pacientes com doenças infecto-contagiosas, sendo referência no tratamento de pessoas com Aids e conta com uma ampla rede de voluntários que, juntos, compõem o Grupo de Trabalho de Humanização (GTH).
Conforme a coordenadora do Grupo, Mariana Aderaldo, há vários projetos de humanização dentro da unidade, que contemplam desde a questão espiritual, como as pastorais evangélica e católica, a momentos lúdicos e educacionais, como a contação de histórias. Os projetos voltam-se não só para o cuidado com os pacientes, mas inclusive com os cuidadores e acompanhantes, que também ficam fragilizados.
VIVA E DEIXE VIVER
Associação atua há quatro anos
Voluntários são 80% mulheres, têm idade ativa, entre 30 e 45 anos, nível de escolaridade alto e são agentes transformadores
O trabalho deles é fazer uma criança sorrir. Os dez voluntários da Associação Viva e Deixe Viver que atuam no Hospital São José têm como meta amenizar o sofrimentos de crianças e acompanhantes na unidade. Há quatro anos, eles utilizam fantoches, brinquedos e outras ferramentas para contar histórias que aliviam a dor ou pelo menos ajudam no tratamento dos pacientes internados na unidade.
Como explica o coordenador da associação em Fortaleza, Fabrício Bitu, o objetivo da instituição é transformar o ambiente hospitalar, a internação e a vivência de quem, de um momento para outro, se encontra às voltas com remédios, exames e procedimentos que não sabe o que significam. “As crianças trazem para as história a vivência do hospital”.
A escolha da contação de histórias como metodologia se dá pela proximidade que elas despertam. “Com a história tem o olho no olho, há uma proximidade com o outro e faz você perceber que pode estar no lugar desse outro algum dia”, destaca o presidente fundador da associação em nível nacional, Valdir Cimino.
Os voluntários da Viva e Deixe Viver são profissionais liberais como dentistas e arquitetos e também donas-de-casa, pessoas que adquiriram uma consciência social e tem na solidariedade um princípio. Cimino revela que uma pesquisa mostrou que os voluntários são 80% mulheres; têm idade ativa, entre 30 e 45 anos; têm um nível de escolaridade alto e se constituem em agentes transformadores e formadores. A associação vem atuando desde 2001. Hoje está presente em nove capitais brasileiras, conta com a ajuda de 1.200 voluntários, em 70 hospitais de todo o país. “Queremos mostrar que o hospital não é um lugar só de dor e sofrimento, mas de possibilidade de vida”, observou Valdir Cimino.
Participação
Os voluntários, para ingressarem na instituição, precisam passar por um processo de seleção e também de um treinamento. “Nós trabalhamos em uma unidade hospitalar e para fazermos parte dela precisamos compreender o funcionamento”, explica o coordenador da Associação Viva e Deixe Viver, em Fortaleza.
A próxima seleção para a instituição na Capital cearense deverá acontecer nos próximos meses, agosto e setembro. Os interessados podem enviar um e-mail para fbitu@hotmail.com e se informarem sobre os pré-requisitos para também serem voluntários.
FIQUE POR DENTRO
Humanização é uma política pública do País
A Política Nacional de Humanização (PNH) foi instituída pelo governo federal em 2003. Os propósitos da política são: fortalecer iniciativas de humanização existentes, desenvolver tecnologias relacionais e de compartilhamento das práticas de gestão e de atenção; implementar processos de acompanhamento e avaliação, ressaltando saberes gerados no SUS e experiências coletivas bem-sucedidas e contagiar trabalhadores, gestores e usuários do SUS com os princípios e as diretrizes da humanização. A política têm como finalidade a redução de filas e do tempo de espera, com ampliação do acesso; o atendimento acolhedor e resolutivo baseado em critérios de risco; a implantação de modelo de atenção com responsabilização e vínculo, a garantia dos direitos dos usuários; a valorização do trabalho na saúde e gestão participativa.
ENQUETE
Qual a importância de ser voluntário?
Jorge Gomes Marinho
51 ANOS
Func. público
Eu revisei meus conceitos de vida e para o paciente é importante porque ele tem com quem conversar
Verônica S. Pinheiro Aragão
59 ANOS
Ag. administrat.
Para o paciente não basta só o remédio, o acompanhamento hospitalar, o voluntariado vem ajudar na melhoria da saúde (Naiana Rodrigues - DIário do Nordeste).
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