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UNIDAS – 02/07/2008

CE: Falta de remédios afeta saúde de transplantados

Associação de Pacientes Hepáticos e Transplantados reclama da falta de regularidade na entrega dos remédios

Depois de uma longa espera e de vislumbrar constantemente o risco de morte, os pacientes que conseguem um transplante precisam tomar, pelo resto da vida, medicamentos para evitar a rejeição do órgão pelo organismo. Como são de alto custo, o Estado é obrigado a fornecer os remédios gratuitamente. Mas a falta desses medicamentos, os problemas de periodicidade no fornecimento e o deslocamento a que muitos transplantados são submetidos, podem colocar em risco todo o esforço para quem conseguiu o órgão novo.

O presidente da Associação dos Pacientes Renais Crônicos do Estado do Ceará, Agnel Conde, disse que um transplantado renal precisa tomar, em média, cinco medicamentos para evitar que o organismo ataque o novo rim. Segundo ele, em maio último, o medicamento Prograf faltou durante uma semana nos hospitais, colocando em risco o tratamento desses pacientes.

‘‘São medicamentos caros e que não são vendidos em farmácias comerciais, só o Estado é quem pode fornecer. O transplante também é um procedimento caro, não se pode perder uma vida por conta da falta de um medicamento’’, alerta.

Mas a situação já foi bem pior. Pai de um filho transplantado e envolvido há mais de 20 anos no movimento, Conde lembra da época em que o envio dos medicamentos era feito apenas pelo Ministério da Saúde. ‘‘Como era centralizado, havia problemas por conta da logística de transporte. Quando o Ministério passou a enviar a verba para que cada Estado fizesse a compra, a situação melhorou muito. Mas estamos sempre vigilantes’’.

Desde 2002, quando houve o primeiro transplante de fígado no Estado, já foram realizadas 286 cirurgias. Esses pacientes precisam tomar diariamente e em horários certos dois tipos de medicamento, a fim de evitar a rejeição do órgão. Apesar de não haver falta de remédio, o presidente da Associação Cearense de Pacientes Hepáticos e Transplantados, Wilter Ibiapina, reclama da falta de regularidade definida na entrega dos medicamentos.

‘‘Tem épocas que a entrega é de três em três meses, de dois em dois meses. Mas a situação se complica no fim do ano, quando a compra é licitada. Nunca chegou a faltar, mas ficamos apreensivos quando só recebemos o suficiente para 15 dias. Deve haver um planejamento para isso não ocorrer”.

Outro problema que envolve a entrega de medicamentos de alto custo são os transplantes em pacientes oriundos de outros estados. O acompanhamento médico depois da cirurgia e a entrega dos medicamentos contra rejeição só podem ser feitos na cidade onde foi realizado o procedimento. Assim, pacientes de regiões bem distantes são obrigados a se deslocar periodicamente para evitar o risco do órgão ser rejeitado. Wilter Ibiapina conta que a associação costuma mandar essa medicação pelo correio para os pacientes.

O que muita gente não sabe é que há um instrumento chamado Tratamento Fora de Domicílio, que garante tratamento médico a pacientes portadores de doenças não tratáveis no município de origem por falta de condições técnicas. ‘‘A maioria das pessoas, principalmente de origem humilde, desconhecem seus direitos”, explica.

Durante três dias, tentamos entrar em contato com a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa). Ninguém no órgão falou sobre o assunto.

Mais informações:
Central de Transplantes do Estado do Ceará:
(85) 3101.5238 e 0800.851520 (Diário do Nordeste)

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