Em Brasília, ABCDT se juntará à SBN e FENAPAR para discutir o cenário nefrológico com representantes da Frente Parlamentar de Saúde do Congresso. 
No dia 14 de março será comemorado o Dia Mundial do Rim, data que busca reduzir o impacto da doença renal em todo o mundo. Neste ano, a mobilização em torno da data se propõe a aumentar a conscientização sobre a alta e crescente presença de doenças renais e a necessidade de estratégias para a prevenção e o gerenciamento desse tipo de doença. Para isso, as principais entidades brasileiras em defesa da saúde do rim, pacientes renais e clínicas de diálise se unirão para um dia de debate na Câmara dos Deputados, em Brasília.
Junto com a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) e Federação Nacional das Associações de Pacientes Renais e Transplantados do Brasil (FENAPAR), a Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplante (ABCDT) vai apresentar e debater o cenário nefrológico do país com representantes que compõem a Frente Parlamentar de Saúde do Congresso Nacional. Durante o evento, o Dr. Marcos Vieira, vice-presidente da Associação, abordará o panorama das clínicas de diálise e os desafios enfrentados diariamente para oferecer um tratamento de qualidade para os pacientes renais que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS). O confronto pelo reajuste no custo da sessão de hemodiálise será discutido com destaque na oportunidade em questão.
O valor pago pelo Ministério da Saúde está abaixo do custo real e não acompanha a cotação do mercado. O tratamento ficou quatro anos sem reajuste e somente em janeiro de 2017 foi publicada no Diário Oficial da União Nº 06 seção 01, a portaria Nº 98, a última responsável por ajustar valores de procedimentos de Terapia Renal Substitutiva (TRS) na tabela de procedimentos, medicamentos, órteses, próteses e materiais especiais do SUS. A sessão de hemodiálise passou de R$ 179,03 para R$ 194,20, com reajuste de 8,47%. Porém, a nova quantia ainda é insuficiente e as clínicas precisam arcar com a diferença de R$ 37,42 em cada sessão.
Grande parte dos insumos, como produtos e maquinários, são importados, além de gastos com dissídios trabalhistas, folha de pagamento, água, energia e impostos. Com todas essas despesas e a grave diferença de valor, a maioria das clínicas de diálise prestadoras de serviço ao SUS precisa recorrer a empréstimos bancários. Para um trabalho justo e de qualidade, o reajuste deveria ser de 30%, com sessões de hemodiálise a R$ 253. Devido ao valor injusto, muitas clínicas são impossibilitadas de disponibilizar mais vagas para o tratamento da doença, resultando em um grande número de pacientes na fila de espera.
De acordo com Dr. Marcos Vieira, vice-presidente da ABCDT, a principal preocupação está ligada à menor oferta de tratamento à população: “As clínicas estão em insolvência financeira, muitas em fase falimentar, e já ultrapassaram todos os limites de sobrevivência. A consequência disso é que os pacientes renais crônicos, que dependem da hemodiálise três vezes por semana – 4h por sessão – para sobreviverem, poderão ficar sem tratamento, até mesmo vindo à óbito.” Por este motivo, as clínicas que oferecem tratamento renal travam uma batalha incessante para tentar equiparar o valor pago pelo Ministério com o custo real da sessão de hemodiálise.
De acordo com pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a diálise peritoneal – tratamento que filtra o sangue do paciente por meio de um cateter flexível no abdômen para a infusão de líquido de diálise – é realizada em casa e pode representar uma economia de 5% aos cofres públicos e gerar qualidade de vida ao paciente. Entretanto, segundo a ABCDT, a terapia ainda é subutilizada pelo sistema de saúde. A entidade calcula que atualmente, no Brasil, somente cerca de nove mil pacientes realizam esse tipo de tratamento.
Saúde dos rins para todos
De acordo com a Sociedade Brasileira de Nefrologia, estima-se que haja atualmente no mundo 850 milhões de pessoas com doença renal, decorrente de várias causas. A Doença Renal Crônica (DRC) causa pelo menos 2,4 milhões de mortes por ano, com uma taxa crescente de mortalidade.
A Injúria Renal Aguda (IRA), um importante fator de risco para Doença Renal Crônica, afeta mais de 13 milhões de pessoas no mundo, sendo que 85% desses casos ocorrem em países de baixa e média renda. Estima-se que cerca de 1,7mi morram anualmente por causa da IRA no mundo. Este ano, a campanha “a saúde do rim para todos” propõe uma cobertura universal de saúde para prevenção e tratamento precoce da doença renal.
Segundo Dr. Marcos Vieira, a conscientização serve para, além de orientar a população para que se prontifique a mudar hábitos alimentares e físicos, alertar forças públicas a manejarem a saúde em prol de diagnósticos e tratamentos rápidos e precisos.
Serviço
Sessão Especial Comemorativa à Passagem do Dia Mundial do Rim
Onde: Câmara dos Deputados Federais, Anexo II – Plenário 14
Quando: 14/03 – 10h às 12h
Aberto ao público.